segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Devemos nunca desistir!

Assistindio o programa Terra da Padroeira, na TV Aparecida, vi esta dupla (Everton e Leal - Pai e Filho), cantando uma música linda: Eu não me dou por vencido. Uma versão de uma música espanhola, cujo compositor, falha-me agora a memória.(Luiz Fonzi, talvez - não sei bem se está correta a grafia). Bem, mas o que interessa é que achei linda a música que, como toda boa música, apresenta a sua verdadeira cara. Costumo dizer que música é a poesia em movimento. E aqui, ela, a poesia, se movimenta belamente e chega ao meu coração com uma linda mensagem de persistência, de vida, enfim. Espero que chegue assim no coração de vocês, também.. Cliquem no link, ouçam a música. Espero que apreciem.
Um feliz 2011 para todos. Que o Natal seja permanência em todos os corações.
http://www.youtube.com/watch?v=3XSdFBISJRE

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

É Natal!


Vem o Natal.
Acorda o cristão do seu sono profundo e prepara-se, a festejar.
Famílias se preparam, arrancam do esquecimento a velha árvore de Natal e preparam-se, a festejar.
E, passada a festa, as palavras se recolhem, os olhares, outra vez, se desviam, os corações esquecem e continuam a caminhar.
Para onde?
Ora, continuam a caminhar.
E, para trás, permanecem, nos caminhos, as mãos vazias de pão, o brinquedo que já se quebrou, o olhar tristonho, ante a esperança perdida, na espera de um próximo Natal, data marcada para o manifesto, o alvoroço passante da "fraternidade".
E Jesus?
Lembremos: veio ao mundo, não para simbolizar festas, não para construir templos suntuosos, em torno de casebres famintos, não para amenizar, por instantes a dor profunda dos que sofrem, mas para tornar a vida símbolo de Verdade, Justiça, Liberdade, Amor e Paz.

Que bom que existem, ao menos estes instantes! Contudo...
Nós que conseguimos criar festas e alegrias, instantanizar a fraternidade, precisamos aprender a eternizar, nos nossos corações, o sentimento, o significado  do Natal.
Que o Senhor nos abençõe e nos ajude a ser verdadeiros cristãos, dando-nos Sabedoria para suplantar a nossa pequenez e alcançar a profunda,  imensurável compreensão de Deus.
FELIZ NATAL!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Eu Sei!

Eu sei que já há uma morte em cada esquina,
uma ave alvejada, em cada ruína,
uma árvore tombada, em cada canto,
um rio que agoniza, em cada vale
e uma lágrima longa, sentida,
em cada coração que ama.

Eu sei que a impiedade, a galope, caminha
a corrupção, como verme, corrói, contamina
e o cinismo, a mascarar a impiedade,
espalha tapas, pelo ar.

Eu sei da hipocrisia, da falsidade oculta,
a muitos olhos, oculta.
Eu enxergo o coração da maldade
E espero, atenta, paciente e cautelosa,
a hora de ver o seu desvencilhar.

Eu sei que breve
as portas de um novo tempo
Há de se escancarar,
no exato momento da passagem
do Amor, da Verdade e da Paz.

Eu sei que, regozijada, verei,
Romper-se contra os inimigos da vida,
a Força estrondosa do Bem.

Revelar-se-ão, então,  sem o "tem"
os falsos proclamadores da Paz,
Eternos inimigos de si mesmos,
Iludidos seres, passageiros,
Senhores efêmreos do nada
ante a Força poderosa dAquele que vem
O Bem vem!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Borboleta


Borboleta, menina, pequenina,
pelos ares, receosa, a vagar,
desconfias, não confias,
temes.
Por qualquer ruído,
põe-se a voar

Borboleta, frágil e bela,
tão pequenina,
quisera, como tu, poder voar.
Espalhar-me sobre os campos,
esconder-me, entre as flores
e, silenciosa, ouvir
a Natureza, a cantar.

Contemplar,
absorver a beleza
e tudo o que Deus quis nos dar,
sem o risco de maltratar o campo, as flores,
Viver, tão somente, para beijar.

Beijar o amor que se espalha,
beijar a beleza, a cantar.
Beijar as fontes dos rios,
beijar os pássaros, a voar.
beijar as matas, florestas
e, em cada beijo, no mar, mergulhar...
Borboleta, menina, pequenina,
ensina-me tu a voar?

domingo, 5 de dezembro de 2010

ORIGEM


De onde venho?

Eu venho de tempos remotos
Onde o mar se fez estrelas
e cada estrela tornou-se rio.


Venho dos caminhos escondidos
Veredas circulantes, entrecortando sonhos,
Rebuscando verdades,
Alma em céu aberto.

Venho de luz e de sol,
noite e luar,
Venho de campos verdejantes,
de cada relva brotante.

Venho de cada bicho, de cada flor
De cada ânsia de viver, de ser
e de querer.
Venho em plena solidão,
cercada por uma multidão
que me vê e me ignora.


E venho só, lutando.
Eu venho!

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Por que canto?
Eu canto
porque não quero chorar.
Não sou, como Cecília, poeta,
não sei o instante cantar nem perpetuar.

Mas eu canto porque o meu canto
me ajuda a esquecer
quão triste vive o mundo
que não sabe mais cantar.

Eu canto! Porque não sou alegre,
mas triste também não sei ficar.
Eu canto porque já passou
o meu instante de chorar.


Então, eu canto
para mim, para ti, eu canto.
Enquanto ainda sei cantar.

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Meu Canto ?


Meu canto é triste e calado,
Solitário, acanhado
E sabe que sozinho continuará
A cantar, a chorar, a sorrir.


.Meu canto ingênuo,
Sem medo
Regozija-se do fogo,
Qual criança inocente,
À beira da fogueira, à sorrir.


.Meu canto é um sonhador
Incansável lutador,
A emergir-se, em mim.


.Meu canto, qual águia
Solitária,
A mergulhar por entre as nuvens,
A pousar por sobre a solidão,
Em espera do porvir.


.Meu canto é vida,
Qual fazeres de águia,
Sonhos de primavera...
Silêncioso, meu canto é
Esperança, em mim.

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Quem Sou?
Sou o sonho, na partida
Sou espera, na chegada
Sou o canto que desliza,
Por entre a multidão,
Em plena madrugada.
Sou retorno ao seu tempo
Em busca de sonhos alados
Que voaram nas asas do vento
E pelo céu se debandaram.
Sou o anseio em cantar
Mesmo para os que não querem ouvir.
E, assim, retorno num canto ,
Sempre triste e solitário,
Teimoso, teimando em prosseguir.
Sou amante da poesia
Que em cada ser desponta.
Sou amiga da esperança,
Que nos corações se lança.
Sou irmã do Amor
Que, sentindo (ou não) a tua dor
Quer fazer morada em ti.


sábado, 20 de novembro de 2010

Não!

Que o mundo não ameace a nossa ternura.
Que um raio cruel não a atinja, jamais!
Que não amedrontem o nosso querer,
o nosso sonho de amar.
Que deixem alçar voo esta ave que há em nós.
Que não nos acuem, no vale,
não nos impeçam de prosseguir.
Que não nos queimem a Esperança,
Que não nos obriguem a gritar.
Que não nos empurrem para essa luta.
Não queremos essa luta lutar!
Queremos, apenas, aves ser
E, sobre campos verdejantes,
plainar as nossas asas e a terra beijar.
Queremos, apenas, tocar colinas que carregamos,
no peito,
O som do vento que, em nós, silencioso,
vive a cantar
Erguer os nossos olhos, em súplica,
e o céu alcançar.
Queremos Paz!
Queremos apenas o Amor amar.
Deixai-nos, pois, águias solitárias,
Exército invisível, em sonho de Paz,
Cumprindo voos infinitos,
entre a vida e o canto,
entre o céu e o mar.

sábado, 13 de novembro de 2010

Meu canto

Ouço, em mim,
o canto aflito, escondido,
 persistindo em não se abrir,
 inspiração a querer fugir.

Difícil, num tempo sem beleza,
permeado por tantas tristezas,
encontrar razão para cantar,
para o meu canto sorrir.

E o canto da própria dor,
de tanto na garganta eclodir,
vai-me, também, abandonando,
escondendo-se, temeroso,
passo a passo, a esvair-se.

Contudo, a esse tempo tirânico,
a querer apagar-me o direito
de cantar e ser feliz,
de mostrar o que há
de melhor, em mim,
Encaro e grito: Contunuo, aqui!

E com a alma em conflito,
cercada pelo tempo triste, perdido,
Luto a reestabelecer, num grito,
o sonho de ser o que
eu sempre quis.

E, por entre preleções fingidas,
Vazio e espaços sem fim,
manifesto o meu canto, grito
àqueles que, também, cantam:
Sigam-me!

Desafio flechas velozes
do desamor a me perseguir,
Acelero o meu olhar de águia,
a voar
Pois, na velocidade das minhas asas,
não poderão me atingir.

Alcançarei, então, as montanhas,
ao emergir-me desse mar
e pousarei no lugar mais alto,
outra vez,
a cantar, cantar, cantar
o meu sonho, em mim.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Sou poeta

Sou poeta, neste mundo
Canto versos, a cantar.
Sou poeta, voz do canto
que, sempre, em comando,
determina o meu caminhar.

Sou poeta, escrava desse canto,
dessa voz que me conduz,
tudo a ver, nada a contentar-se.

Não sou o canto,
não sou o chorar,
nãosou o sol, não sou o luar.
Sou poeta - ser atiçado, provocado -
instrumento do cantar.

Não me culpes, pois, se versos escrevo,
canções que não queres escutar
É que... sou poeta.
 E o canto que canto,
não sou eu que canto
É o próprio canto,
sedento, flamejante,
senhor de mim, a ordenar-me.

Assim...
É dele esse cantar.

Sou poeta, a vagar,
Ser objeto, sujeito a um canto,
impregnado de querer
que, sobre mim, abre as suas asas,
ao meu ser se incorpora,
obrigando-me a cantar,
ao seu canto me entregar.

Sou objeto desse canto,
que me exalta e me aniquila,
dono do meu ser
que me exige, me ordena,
obriga-me a não me pertencer.

Essência da minha essência,
corpo único, único ser,
desejo infundido, em mim,
em desejos de mais querer.

Sou poeta, ser vencido,
disponível, comandado
pelos versos, a navegar,
arremessado no horizonte,
submergido no sensível
desse profundo mar, sem cais.

sábado, 30 de outubro de 2010

A Poesia e a Alma

Poesia e alma
apoiam-se: campo e luz.
E, quando a alma se agita
e torna-se árida e deserta,
sobre ela resplandece a luz,
a banhar-lhe o ventre,
fertilizando entranhas
e, delas, fazendo brotar flores campestres,
a embelezar o tempo,
a perfumar o vento,
a encantar os passantes.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Partida

Amigo, estou partindo.
Levo como bagagem,
lembranças de ti,
Mas... tenho que partir.

Vou revestida de esperança,
em anseios de felicidade,
a buscar o que, há muito, perdi.

Vou ao encontro das árvores
E do cantar dos passarinhos,
que, pelos campos ressoam,
da aurora ao entardecer.

Quero, preciso escutar
o canto da Natureza,
a ela me abraçar,
em beijos crepusculares,
saudando o alvorecer.

Preciso, necessito contemplar
o silêncio do tempo,
o aroma das flores
e o barulho do vento,
a me sussurrar segredos.

Devo descobrir o Amor,
com ele, lado a lado, caminhar,
Espalhar-me pelos campos
e reaprender a beber a água da chuva.

Preciso reencontrar o sonho
e, com ele, sonhar,
caminhando rumo à terra dos enamorados,
seguindo as pegadas das flores.

Anseio encontrar a Paz,
Saudar a ternura
e descansar
nos braços de cachoeiras e cascatas.

Amigo, estou a partir.
Sei que saudades vou levar,
mas, já me espera o barco da Esperança
que veio me buscar.

Carregar-me-á,
cercado por aves, no ar,
por baleias, no mar
que, comigo, migram,
em busca da Paz.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Eu, solidão

Eu, solidão,
Riacho invsível, lentamente,
atravessando vales,
entrecortando precipícios,
buscando a nascente
de um coração.

Eu, solidão,
Silêncio cantado,
instigado, observado,
a desembocar no deserto,
a explorar porões.

Eu, solidão,
Em meio ao silêncio aflito,
a desembainhar mil gritos,
a mergulhar-se em canções

Para esquecer a rispidez do tempo,
para amenizar irados gritos,
para suavizar corações em atrito,
para compreender incompreensões...

Eu,
Solidão.

sábado, 16 de outubro de 2010

Ainda não sei

Não sei...
Por mais que tenha indagado,
Não sei o conceito de mim.

Mistura de sonho e realidade,
Um suspiro de saudade
suficado, no peito,
como que a dormir.

Não sei...
Ainda não sei
desta estranha mistura,
braveza e ternura,
sombreando uma sede profunda
de descobrir.

Descoberta...
mergulhada em calado vento,
agitando-se sobre intranquilas ondas
em passos de prosseguir.

Não sei...
Não sei da estranheza,
diante deste mundo,
Iinquietação, a gerar, em mim,
esses inquietos passos, em pegadas leves
sobre gramas de jardins.

Não sei, nada sei
desta ilha escondida,
sobre o mar estendida
Em destino de solidão.

domingo, 10 de outubro de 2010

Acalma-te!


Acalma-te, coração
E confia.
Confia e siga
Siga em Paz.

Fortaleça a tua Fé,
Na Palavra que te guia,
 certeza que te orienta
e se confirma, sempre, aos que creem.

Acalma-te, coração,
Não temas!
Não te agitas,
ante o barulho, lá fora,
ante estardalhaços, gritos e tempestades,
Porque o Senhor teu Deus
É forte o bastante para te defender.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Outrora





Outrora, fui pássaro livre

Que se movia por entre as nuvens,

Pairava no espaço

E buscava, sempre, a árvore mais alta.

.

Outrora, como pensamento, percorri sozinha

Os limites do tempo

E encontrei homens bons

E encontrei homens maus.

.

Outrora, entre o voo e o pouso,

Perdi a minha liberdade

E, aprisionada, cantei cânticos sofridos,

Canções choradas,

Enaltecendo os meus algozes.

.

Outrora, reconsquistei a minha liberdade,

Quebrei as cadeias

Que me algemavam a alma

E voei.

.

Outrora, pousei em mar aberto,

Conversei com baleias, sereias...

E entre ondas agitadas

Fui amiga do mar.

.

Outrora, aceitei a paixão,

Entreguei o meu coração,

Mas, ao sentir o entardecer

Tive que abrir as asas

E, novamente, voar, voar, voar...

.

Abri novamente as asas,

Movendo-me como águia

Entre as montanhas e as noites,

Buscando abrigo encontrar.

.

Com pálpebras firmas,

Agarrei o fogo com as mãos.

Fui corrente do rio sem fim,

Profundezas do mar.

Que o fogo não pode atingir

Que o fogo não pode queimar.

.

Sou, pois, hoje coração caminhante,

Pousando sobre a relva,

Quando me deixam pousar,

Sobrevoando o céu,

Em busca do meu destino,

Ainda por desvendar.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O Grito


Há um grito que grita
Fora!
Há um grito que grita
Venha!
Há um grito que atravessa florestas
Há um grito que faz
os rios, em esperança, sorrirem.
Há um grito divino que grita
Lutem!
Há um grito que devasta temores
Unam-se!
Há um grito de desejos, esperança e querer,
querendo explodir.
Caminho de chegada,
Avante, Brasil! Ainda gritarás
Vitórias, por fim!

Sede

Tenho sede de palavras
Sou riacho sedento,
almejando o mar.

Sou passarinho engaiolado,
batendo as asas,
querendo voar

Sou caminho
eterno,
a caminhar.

No fundo do meu coração,
grita o desejo de partir.
Há uma onda de anseios, prisioneiros,
a mover-se, em mim.

Há uma força
acorrentada,
querendo regressar...

sábado, 11 de setembro de 2010

Canto

Ouço, em mim,
O canto aflito, escondido,
Persistindo em não se abrir,
Inspiração a querer fugir.

Difícil, num tempo sem beleza,
Permeado por tantas tristezas,
Encontrar razão para cantar,
Para o meu canto sorrir.

E o canto da própria dor,
De tanto, apenas na garganta, eclodir,
Vai-me, também, abandonando,
Escondendo-se, temeroso,
Passo a passo, a esvair-se.

Contudo, a este tempo tirânico,
A querer apagar-me o direito
De cantar e ser feliz,
De mostrar o que há de melhor, em mim,
Encaro e grito: Continuo, aqui!

E, com a alma em conflito,
Cercada pelo tempo triste, perdido,
Luto, a reestabelcer, num grito,
O sonho de ser o que eu sempre quis.

E, por entre preleções fingidas,
vazio e espaços sem fim,
Manifesto o meu canto, grito,
Àqueles que, também, cantam:
Sigam-me!

Desafio flechas velozes
do desamor, a me perseguir,
Acelero o meu olhar de águia, a voar,
Pois, na velocidade das minhas asas,
Não poderão me alcançar.

Alcançarei, então, as montanhas,
Ao emergir-me desse mar
E pousarei no lugar mais alto,
Outra vez, o meu sonho, em mim
A cantar, cantar e cantar.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

É...

É passarinho perdido,
calado até a aurora.
É música nos ouvidos,
sem querer ir embora

É sonho ficando,
premonizando, lá fora.
É canto encantado,
puxando a viola.

É, já, um coro gritante
"Vem, vamos embora"!
É a dor de tanta gente,
em minha dor que não se consola.

É desejo de desejar,
Todos os gritos gritar: "agora"!
É alma de poeta,
invadida a toda hora.

É asas agitadas,
abrindo gaiolas.
Voar?
"Vem, vamos embora"!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Caminhos

Caminhante que sou,
Vago, em asas, sem rumo certo,
Contemplo planícies verdejantes
E luto, a desviar os meus olhos
De tudo o que golpeia a minha alma
E me faz desacreditar.

Caminho, a rolar por sobre estrelas imaginárias,
Lançando o meu coração andante
Ao vento que me conduz,
Ao mistério,
Ébria de sonhos, coberta de esperar.

E das flechas de fogo faço flores,
A colher essências perdidas,
Ao encontrar, por entre despojos,
Uma rosa, a ressuscitar.

Minha fé está num milagre do futuro,
Brotado em corações que cantam.
Celebro este canto que virá
Eclodido em bocas gritantes,
A invadir campos e campestres,
A contagiar.

O grito arrastado pela chuva
Deslizará em enxurradas profundas
Até, na várzea, se abrir
E fazer as flores brotarem.

E, quando já em silêncio,
Sentirei o brotar do tempo novo,
A florescer pelas épocas sem fim,
reconstruindo a história
Para sempre, em flores, a se abrir.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sonhar = a arte nos faz sonhar?

Sonhar é querer ir mais além do que se é ou se tem.
Por isso, vive o poeta insatisfeito, mas a sonhar, numa busca incessante da totalidade.
Sonhando ou acordando, a mesma busca, a eterna procura da plenitude a lhe acompanhar.
Só através da arte o ser humano é capaz de se unir com esse todo que tanto aspira. Só a arte lhe faz sonhar. Ou até mesmo descobrir, de repente, que as coisas não são bem assim. Pois a arte tem esse poder - e deve ter- de transformar, dar - a leitor e escritor - decisão e ação para mudar o seu mundo real.
A arte não se completa apenas com o seu sentido mágico, o apenas sonhar, muito embora ela não existe sem, ao menos um pouco dessa magia. Mas a realidade que nos cerca exige uma arte que seja capaz de tirar-nos desse mundo de sonho e magia e conduzir-nos à transformação: acordar e ver as coisas não sendo bem assim.
É o nosso mundo real, conturbado, despertando o poeta nem que seja por instantes e fazendo-o, na maioria das vezes, chorar.
Mas, é essa mesma arte que o ergue, o impulsiona a transfigurar uma realidade e o retorna ao seu sonhar.
Como diz Mário Quintana, "sonhar é acordar-se para dentro". O sonho nos permite, portanto, nos explorar e catar as chances, medir probabilidades, nessa capacidade do sonhar.
Assim sendo, deixai-me, pois, sonhar. Sabendo que só através do sonho nascem possiblidades para o concretizar.

domingo, 29 de agosto de 2010

Eu estranho


Estranho o estranho acontecer,
Calcando os pés gigantes, na Paz,
Eliminando a verde esperança,
Como quem, impiedosamente,
Pisa na grama dos jardins.

Estranho não ouvir mais
O canto do pássaro estranho
Que eu não conhecia, jamais antes vi
E que pousava, todas as manhãs,
Nas árvores (já tão estranhas) do meu jardim.

Estranho ver as pessoas correndo,
Assim, apressadas, irritadas, stressadas,
Pelas ruas desta cidade
Tão agitada e medrosa,
Como fugitivos, da guerra a fugir.

Estranho quase não ver o mundo
Em sorrisos dar bom-dia,
Estender mãos cálidas e macias,
Distribuir abraços, desejar estreitar laços
E amar tudo e todos, ao redor.

Estranho a vida se estranhando,
Fechando portas, trancando janelas,
Gradeando jardins, cercando-se...
Prisioneira, em castigo, por ser amiga da Paz.

Estranho ver o meu irmão ser castigado,
por ser bom,
Ver alguém ser livre, por ser mau...
Serei eu a estranha, por aqui?
Será estranho, eu estranhando a vida, assim?
Mas, eu estranho...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Por que voam as aves?

Por que voam as aves?
Por que é o seu desejo de vida voar, se têm na terra, fruto e pouso?
Por quê?
Porque a liberdade, sempre, as chama,
Porque a liberdade as convoca a mirar o alvo, na rota do infinito e a buscar voo livre.
Porque são livres.
Porque não se encadeiam entre leis absurdas e ditos hipócritas, são livres.
Só o homem cria cadeias e, com elas, se aprisionam, na própria liberdade.
E, quando pensam em voar, descobrem a morada da manhã, mas não a podem visitar, porque...
NÃO SÃO AVES!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O Meu Poema

Queria escrever um poema  tão belo, que se tornasse transcendente, em todas as palavras;  síntese, do que há na beleza, do mais belo de todo o belo.
Que fosse canção e ventania, perfurando o espaço, metafísico, no tempo, percorrendo o além de todos os aléns, produzindo e explodindo sonhos, para, em realidade, transformar-se.
Um poema, assim, meio mágico, inebriante, capaz de trnsformar, transcender, transfigurar...
Queria escrever um poema agramatical, tão somente emocional, perfurando silêncios, derrubando etiquetas, quebrando as exterioridades.
Um poema jorrando palavras cheias de pura linguagem, entendida, decifrada pelas estrelas, contemplada pelo luar, decodificada, apenas, por aqueles que sabem amar.
Mas, um poema que, desvendando tudo, transbordasse em luzes, conquistasse exploradores perdidos, indicando-lhes caminhos, dando-lhes desejo de cantar.
E que, nesse desejo, brilhassem, como peixes felizes, no fundo do mar.
Queria escrever um poema sem tristeza alguma. Que fosse apenas louvação, por um tempo espetacular, em que o Amor fosse habitante comum, de todos os dias, em todo lugar.
Queria escrever um poema que fizesse do simples riso, o mais sincero sorriso, a saudar. Que brotasse em tempo de plantio e, na colheita abundante, fosse um nome, em cada boca, nome de sonhar, em tempo de concretizar.
Queria escrever um poema que, como o arco-íris, sugisse, tomando o céu, estampando, por entre as cores, um nome de lugar.
Lugar, antes imaginário,
Agora, real, habitado; lugar cheio de todos nós, sonhado pela nossa Paz, chamado Felicidade, sempre,
tristezas, nunca mais.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

SONHO


Um dia o poeta sonhou com a Lua.
Sonhou que ela havia invadido o seu quarto. E trazia nas mãos lindas rosas multocores.
Em cada rosa estava escrito um nome. O Poeta não entendia.
A Lua, então, estendeu-lhe uma rosa e nela estava escrito: Ilusão. O Poeta não entendeu.
E a Lua foi estendendo-lhe as rosas: Sonhos, Verdade, Canção, Dores, Tristeza, Felicidade, Alegria, Encontro, desencontros... Ficou com a última rosa, nas mãos. E o poeta perguntou-lhe: Não vais me estender também esta? A lua respondeu-lhe: Esta é a síntese de todas as rosas que te dei. Mas é preciso que chegue o Sol, para que eu possa te dar.
Esperaram horas e horas até a chegada do Sol. E a Lua estendeu a última rosa ao poeta.
Como num passe de mágica, a rosa se abriu. Suas pétalas tinham cores diversas e, numa delas, estava escrito: VIDA.
O Poeta entendeu.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Nossa Noite

Ao sairmos, daquela noite,
 bailando, pela calçada,
Conosco iam sonhos e desejos,
varando a madrugada.

Em êxtase, os nossos corações unidos,
Pulsavam, ainda, ao som do bolero.
E as nossas almas entrelaçadas,
submissas, persistiam, no compasso.

Nossos corpos presos, num grito,
Guiados pelo mesmo desejo,
Seguiam rumo ao infinito,
mergulhados naquele beijo.

Cantávamos versos de amor,
ouvindo o silêncio, a sussurrar.
E os seus olhos eram duas mãos,
macias, a me acariciar.

Unidos pela mesma paixão,
Rodamos, sonhamos, a delirar.
E, perpetuamos todos os instantes,
Como aves, em pleno voo,
Sem pressa de pousar.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Semear

Por que há de, ao se dar o semeio,
Alguma das tuas sementes, tristemente,
cair sobre solo árido, pedregoso?
Por que há de não germinar, crescer, florir a tua semente,
lançada fervorosamente, coberta de esperanças, de um novo porvir?
Por que há de  existir, ao teu redor, terra tão infecunda,
a não aceitar a semente, sobre ela a cair?
Contudo, sempre há de, por entre pedras, um verde surgir.
Precisa o semeador arar a terra, descobrir um filete sequer de solo perdido, por entre
a imensidão das rochas.
E Aquele que semeia milagres, concretizar o sonho, no árido solo da descrença, no imenso campo escondido, por entre pedras e espinhos.
Eu creio. E espero.

domingo, 8 de agosto de 2010

MEU PAI







Seus olhos eram como estrelas,
 a me guiar, a me iluminar o caminho,
mirando-me, em silêncio,
 falando-me de paz.


Ouvia-me.
Passávamos o tempo a falar de nós e sobre nós.
Sua presença era porto seguro,
encanto e refúgio para o meu ser.
Certeza de nunca estar só.

Estava sempre do meu lado
e ao meu lado.
Éramos partes iguais.


E mesmo quando nos desentendíamos,
 no fundo, estávamos a falar de amor,
Era só por amor.

Quando ele se foi,
 um bando de bem-te-vis
fez pousada em minha mangueira
 e, juntos, orquestrou-lhe uma última homenagem.


Não posso esquecer...
Não consegui juntar-me a eles.
Estava de voz embargada e asas partidas,
Não conseguia voar nem cantar.

Tive, então, que aprender a caminhar - sozinha.
Mas, de repente, pensando nele,
 tornei-me ave.
Refiz a minha plumagem e alcei voo.


Mergulhei-me, então,por entre as nuvens,
desvendei os céus,
na esperança
de, um dia, reencontrá-lo.

E,enquanto o reencontro não vem,
E eu fico, aqui, solitária, a te lembrar,
 Diz o meu coração, ao teu imenso coração:
Eu te amo,  meu querido pai!


Eu só quero dizer que te amo,
Que eu, SEMPRE, vou te amar!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Procura-se um Pintor

Procura-se um pintor
De fama sem igual,
Que tenha, na sua paleta,
Todas as cores do mundo
E muito mais.

Que recupere este quadro,
Que dê a ele mais brilho,
mais vida, mais cor.
Que o faça resplandecer, à noite
E, diante do dia, seja o guardião do sol.

Procura-se um pintor
Que seja mágico e construtor.
Que tenha inspiração divina,
Que manuseie cores infindas,
Que não se apagam com a chuva,
Não se arrefecem com o sol.

Um pintor...a pintar com amor,
Um quadro,
Que tenha brilho eterno,
Que, do tempo, seja  vencedor.

Procura-se um pintor
Que ponha, nesse quadro,
Sorrisos,
Que o enfeite, o torne bonito
E o adorne com cores do paraíso.

Que ponha, nele, o poder.
Poder de alegria e transformação,
na forma mais profunda
Da mais pura emoção.

Que pendurado,
Faça os olhos enxergá-lo por dentro,
perpetuando o momento
Em que ele foi criado,
Sentindo a beleza
E o encanto que há ali.

Procura-se um pintor
fazedor de quadros felizes.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Silêncio







O silêncio que me cerca
E me invade a alma
É um silêncio tranquilo
que valsa pelo meu ser
E canta comigo
Canções que aprendi
Só com ele cantar.

É um companheiro mudo.
Calado, que de mãos dadas
Carrega a minha alma
Por caminhos que não percorri,
Mas que ele conhece muito bem.

Epifânico silêncio em mim,
Transportando mundos,
Brotando palavras,
Criando sons.

É o silêncio da minh'alma
Tranquila e só.
Ciente, porém, do seu domínio
E do caminho que tem a seguir.

domingo, 1 de agosto de 2010

A Amizade de Pessoa

Este texto me foi enviado por um ex aluno, hoje, um grande amigo a quem muito estimo:Roberto Brandão Então, quis, pela beleza impressa, compartilhá-lo, aqui.
Este é Fernado Pessoa...ou, apenas uma das suas múltiplas faces.


Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não se esqueça de que sua vida é a maior empresa do mundo. E você pode evitar que ela vá a falência. Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você. Gostaria que você sempre se lembrasse de que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem desilusões. Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros. Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza. Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos. Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós. É ter maturidade para falar “eu errei”. É ter ousadia para dizer “me perdoe”. É ter sensibilidade para expressar “eu preciso de você”. É ter capacidade de dizer “eu te amo”. É ter humildade da receptividade. Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz…
E, quando você errar o caminho, recomece.
Pois assim você descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita. Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Usar as perdas para refinar a paciência. Usar as falhas para lapidar o prazer. Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.
Jamais desista de si mesmo.
Jamais desista das pessoas que você ama.
Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível, ainda que se apresentem dezenas de fatores a demonstrarem o contrário.
                                       Fernando Pessoa

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A Verdade do Poeta

Estive pensando...
Estive a pensar em como metáfora, plurissignificação, termos intrínsecos na realidade do poeta se enlaçam e, por vezes, chegam a confundir e, confundidos, se lançam por entre caminhos inimaginários, desconhecidos até para o próprio poeta.
Quem pode, seguramente, declarar a verdade do poeta? Pensei na forma fantástica com que conotação e denotação se misturam e, podem até permutarem n, na mente do leitor. Mas...pensei: assim sendo, é permuta ou recriação? Porque também o leitor é um ser criador e co-participante a partir das leituras que faz sobre o texto que lê.
E, então, pensei novamente: É aí que se faz a beleza infinita da poesia. É aí que se encontra o poder incalculável da criação poética.è a fantástica capacidade do ser humano de - de alguma forma - criar e recriar, interpretar essa criação e o universo sem fim que o circunda.
Penso que a poesia é mágica. Atemporal, vai além de todas as fronteiras, ultrapassa o real, transpõe o tempo, vence barreiras mil para chegar e ser transformada, na mente daquele que a lê, em realidade viva, retrato de si mesmo ou de quem a escreve.
E pode ser assim. Afinal, o poeta é também influência do seu tempo e do seu mundo.Entretanto, precisamos, ao ler um texto, ter muito cuidado, estar atentos às metáforas utilizadas pelo autor, visto que as mesmas nem sempre são claras, e sendo metáforas, jamais objetivas.
O mundo constituído pelo poeta é sempre inverso ao da realidade que o circunda, embora para este sempre se transpõe.
A verdade do poeta está na imaginação. Aquilo que escreve é a sua verdade imaginária. Seu reino é o imaginário, subjetivo e é assim que expressa o que sente, no reino da ficção.
Como nos diz Fernando Pessoa, "o poeta é um fingidor". Fingir é a forma mais viável para encontrar a tradução de si mesmo e do outro.Em vez de procurar o objeto, faz objeto de si mesmo.
E o ambiente de que fala, as palavras que escreve, nada mais são do que um espelho no qual se mira, buscando a imagem desejada.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Inquietação


Inquieta-me
Inquieta-me essa onda vagante,
Inominável onda, mansamente trepidante,
Rasgando a quietude do meu ser.

Doi-me os passos indefinidos do nada,
impressos da onda, em mim.
A eternidade das buscas
sem encontro,
Das perguntas sem respostas

E os sorrisos de "tudo bem"
E os soluços do coração que não tem
Outra alternativa a não ser
no palco fixar-se.

E, diante das soluções insolúveis,
dos encantamentos
do meu tempo desencantado,
provavelmente ríem de mim
as ondas passantes,
ao me perceberem aflita
ante os gritos da noite.

E da fome dos bichos,
no lixo,
aparentes seres com vida,
sem chances de recomeçar.

Os risos que ecoam, em torno de mim,
me emudecem o sorriso,
julgado sem fim,
mas, ensina-me a me encontrar.

E as palavras que me soam
tão estranhas,
chocando o meu olhar,
levam-me à leitura plena,
de mim,
e me ensinam a me amar.

Inquieta-me ondas que galgam o meu ser
e, no tempo do não ser,
apresentam-me o ter,
e fazem-me querer
disto tudo me afastar.

Inquieta-me não poder encontrar o caminho
do sol,
o lugar das soluções permanentes,
o templo do perdão,
para, numa oração,
reacender todo o Bem,
ouvir a sua explosão
e o ápice contemplar.

domingo, 25 de julho de 2010

Amigo

Tenho um amigo
Que sabe ler e compreender
os meus silêncios
E escutar o meu coração.

Tenho um amigo
Que me olha calado,
Devasta o meu deserto,
Apenas com um gesto,
E que, silencioso, me estende a mão.

Tenho um amigo-irmão
Que me gosta como sou.
 -Talvez gesto impossível -
Mas, para Ele, tudo é solução.

Tenho
 um grande e fiel amigo
Que me canta canções.

Seu nome?
Jesus, o dono do meu ser,
Senhor do meu coração.

sábado, 24 de julho de 2010

QUEM SOU

Sou o sonho na partida

Sou espera, na chegada

Sou o canto que desliza,

Por entre a multidão,

Em plena madrugada.


Sou retorno ao seu tempo

Em busca de sonhos alados

Que voaram nas asas do vento

E pelo céu se debandaram.


Sou o anseio em cantar

Mesmo para os que não querem ouvir.

E, assim, retorno num canto ,

Sempre triste e solitário,

Teimoso, teimando em prosseguir.


Sou amante da poesia

Que em cada ser desponta.

Sou amiga da esperança,

Que nos corações se lança.


Sou irmã do Amor

Que, sentindo (ou não) a tua dor

Quer fazer morada em ti.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Pensamento

Se eu tivesse uma estrela, nas mãos,
Uma força qualquer,
Uma espécie de varinha de condão,
Tocaria no meu destino.

Abriria o caminho das estrelas,
Fugiria para o céu,
Esconderia a incerteza
E, entre o sol, a lua e eu,
Escreveria o encontro eterno.

Fincaria os meus pés por sobre a Paz
E sairia, a espalhar pegadas,
pelos caminhos.

Falaria com os anjos, de pertinho,
E, jamais, os deixaria fugir.

Tornar-me-ia semeadora de chuva,
Nos desertos humanos
E espalharia o sol ardente,
Nos corações congelados e sem Amor.

Se eu tivesse qualquer poder,
Encontraria uma forma de ser mais feliz,
De ver e sentir mais Amor e menos dor,
No coração do tempo que partiu
E construiria um novo tempo ausente dessa dor.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Eu te amo

O tempo se foi...
Outro tempo se faz.

De todas as palavras,
a diluir-se,
como signos dispersos, no ar,
Juntam-se letras constantes
Que bailam, diante de mim:
Aqui, estou a te amar.

Sopra o vento,
Caminha o tempo,
Verdade, dentre todas as verdades,
A sussurrar: Eu te amo,
Ainda estou a te amar.

Se me ouves, não me ouves,
(Ah, eu não sei...)
Se já não te escuto
E já não posso te buscar,
Mesmo assim grita o meu  coração:
Eu te amo. Continuo a te amar.

Entenderá o mundo, este meu jeito
tão insistente de te amar?
Amar além desse tempo,
Amar além das estrelas,
Amar ausente de estar?

Não sei.
Só sei que te amo,
Que, aqui, ainda estou,
Teimosa,
A te amar.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Amigos

O mundo, neste tempo novo, redefine situações, recria conceitos, constrói outros, interfere nas relações e, cada vez mais, aproxima o homem da máquina, consequentemente, afastando-o do Outro, criando assim solidões, distanciando relações. Mas o ser humano carrega, em si, a necessidade de agrupar, aglomerar, conviver, discutir, dialogar, necessidades que o impulsionam, sempre, em direção a alguém. Não nasceu para ser só.
E, seja através da internet ou nas relações  aí pela vida afora, surgem-nos os amigos. Seres que, conosco se identificam, num sentimento que também não se explica, mas que vem nos afagar o coração, por vezes até, vendo, percebendo os nossos defeitos, porém, só enxergando a nossa alma, o nosso coração.
Aos amigos, o meu afeto, o meu imenso carinho, a minha gratidão.
Que bom, ter o dia do amigo que nos faz parar, refletir e enxergar o valor da amizade!
Beijo grande, no coração de todos!

sábado, 17 de julho de 2010

CHOVER

Daqui, observo o tempo...
Nuvens preguiçosas circulam
Sobre as árvores, em plena má vontade
de chegar.

Para onde irão as nuvens pequeninas,
A fugir em debandada,
Quererão banhar o mar?

Ouço o grito pequenino
Do passarinho aflito,
Pelos ares, a gritar:
Chuva a chegar! Chuva a chegar!

De repente, tudo escurece,
magicamente, vejo nuvens se moverem,
Nervosas, teimosas, a enfurecer
E o vento silencia... tempo a escurecer.
Vai chover!

E vem, então, a trovoada,
Tambores do céu a expandir-se
Grossas gotas no ar.
E a minha infância, aos meus pés
velozes, molhados, a correr...
Está a chover.

As ruas e as poças d'água,
As gotas, no chão, a estalar
Delícias... as bicas explodindo água
tanslúcida, doce... a chuva

E a minha infância molhada
De chuva, risos e desejos,
No coração, a chover,
Sonhos, no peito, a germinar.



quinta-feira, 15 de julho de 2010

E a vida...






A vida não é apenas o que se vê,
o que está ao alcance dos olhos,
o que a simples visão pode permitir.
A vida? É muito mais!
Beleza inexprimível, inalcançável,
que nem todos podem compreender
ou atingir.
Um som que vem se espalhando pelo tempo
Ouvidos há que não o querem escutar
e, por issso, não aprendem a ouvi-lo.
O valor da vida se espalha em cada ser.
Não se resume apenas em seres humanos a falar,
a cantar, a trabalhar, sorrir, chorar, brigar,
uma roupa bonita para vestir,
uma casa bonita para morar
A vida não se define, mas se realiza
, no coração daqueles que a sabem sentir
e, sentindo-a, aprendem a amar.
É um doce emaranhado de emoções,
vencidas todas por um amor que ninguém
sabe definir.
A vida não é essa pura razão destituída de emoções
 nem desenfreada ambição, nem egocentrismo sem compaixão...
Não, não é assim.
A vida é bela demais para ser assim.
A vida é a força eterna a vencer precipícios,
é vitória depois de tudo isso, é pura realização.
A vida é o amor incondicional por todos os seres,
olhados por igual: é canção a explodir.
A vida é a chance do encontro.
É a busca infinda do Amor, procurando concretizar-se
em você e em mim.

domingo, 11 de julho de 2010

Cadê?

Viste, por aí, passar um canto?
Saiu daqui apressado,
Cruzou a porta alongado,
Dizendo buscar o mar.

Alguém viu, por aí, um canto
Magnânimo, embevecido,
Cheio de encantos coloridos,
Lançando flores, colhendo sorrisos?

Quem viu o canto encantado,
Amigo das almas, acalento dos prantos,
De mãos macias e doce cantar
Que vive buscando corações afagar?

Tragam-me, aqui este canto bordado,
Em flores guardado,
Em rochas incrustado,
Buscado, rasgado,
Nos corações dos poetas.

sábado, 10 de julho de 2010

A Figueira

Há uma figueira, no meio daquela vinha,
Sentindo-se triste e só.
Não produz os mesmos frutos.
Recebe,porém, do mesmo jeito, sol e vento,
Mas, recebe-os diferente, com outro olhar.
Há uma figueira fincada no meio daquela vinha
Que luta para dar frutos,
mas, ninguém aceita, só rejeita...
Há uma figueira que, diante das demonstrações,
Aprendeu a ter humildade,
para completar o seu tempo de espera,
Esperando só.
Há uma figueira, no meio daquela vinha,
Que, na profusão de indagações e desencontros,
Resolveu sonhar,
E, na linguagem dos sonhos
Resolveu mergulhar-se.
Não dará frutos para o bom vinho,
Logo, prepara, com carinho,
Outros encantos,
Para, além da vinha, outros seres embriagar.
Há uma figueira, no meio daquela vinha,
Que, às vezes, não entende porque ali está ,
Porém, fica e espera
O tempo se revelar.