sábado, 11 de fevereiro de 2012

SE EU PUDESSE...


Se eu pudesse,
Ah, se eu pudesse
decifrar essa onda inquieta,
acalmá-la, alimentá-la
com apenas uma canção



Se eu pudesse
encontrar uma resposta
que desvendasse esse segredo
e que me ajudasse a encontrar
a trilha que me levasse
ao querer da minha alma inquieta,
anseio que não se aquieta,
aqui dentro do meu coração


Se eu pudesse expressar esse querer,
banhado de sonhos, decepções e saudade,
certamente marcaria um encontro com a felicidade,
hoje,às três horas da tarde,
e a conquistaria,
dando-lhe um sorriso
e as chaves do meu coração.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Refletindo... desejando



Catando silêncios, colho palavras.
Colhidas palavras que me conduzem à busca, à reflexão
Eterna procura da resposta certa,
Do desvendar de incógnitas e
desse zelo na interpretação.

Fito o teatro da vida
E busco compreender
cada gesto, cada ato,
a desenrolar-se, neste palco sem fim,
Coberto de ilusões.

Que venha o renascer!
Que cortinas se cerrem, encerrem
E, noutro tempo, reabram-se,
A acenar Amor, solidariedade, compreensão.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

VENHA



És tua esta carta, sobre a minha janela?
Jogada assim, sem vestígios, parece-me não teres certeza do chegar.
Visitas-me, sempre, tão sorrateira, ora fazendo-te presença infinda, ora fugindo devagar, deixas sobre as marcas dos teus passos esse incerto querer, esse movimento balançante, entre o ir e o voltar.
Venha, não te acanhes. Aqui, tudo está tão triste... mas, venhas, sem pressa de voltar; venhas para ficar.
Fica comigo, fica; aqueça o meu coração, fala-lhe ao ouvido que tu vais ficar.
Tu tens percorrido caminhos vazios, não tens encontrado o pouso tranquilo, neste teu desejo tão corrente de prosseguir, de avançar; não tens recebido as boas vindas, o mundo parece já não mais te querer, assim como és, raio de luz, sol de todos os luares. Mas, venha!
Venha, Esperança amiga, pousa bem aqui, no meu coração e faze-me, outra vez, cantar.
É tempo de sorrir, de alegrar-se. Venha! É hora, venha!, é este o tempo de chegar.
Não desvies o teu caminho, não desistas da tua vinda; precisamos, mais do que nunca, te reencontrar.
Traze contigo o vento manso e, sobre ele, a Paz a nos saudar. Revista este tempo com a alegria da tua presença e dize-nos que , aqui, sempre estarás.
Esperança, amiga minha, é já Natal a chegar; mais um ano está indo embora e só tu podes reconstruir os sonhos,fortalecer os punhos, pular as barrreiras escuras, revigorar os corações cansados, acalmar as multidões agitadas, eliminar as tensões provocadas, para que, além dos sonhos, possamos a realidade reconstruir, os cantos abrir, a alegria replantar, sonhos novos construir, sonhos antigos , em paz, concretizar.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A Primeira Vez


A primeira vez que li um poema, a minha alma saiu do seu esconderijo, arrancou a máscara pesada da vida (des) igual e, aos saltos, cantou esperança e quis sonhar.
A primeira vez que li um poema, quis aprender a falar. Quis lançar-me sobre as palavras, nelas mergulhar-me.
A primeira vez que li um poema,fui apresentada a mim; saudei-me, cantei, vibrei e festejei a minh'alma, a me sorrir.
A primeira vez que li um poema, descobri que nasci nesse sonho; que sou triste traço risonho, a marcar os olhos do meu tempo.
A primeira vez que li um poema, aprendi mais de mim e sobre mim. Rebusquei indagações antigas e as inquietações incontidas, reencontrei alegrias perdidas, reconheci a razão das minhas feridas, me percorri... ousei cantar.
A primeira vez que li um poema, imaginei-o, sim,  falando sobre mim. E agarrei-o firme no peito, cantei-o dia inteiro e plantei-o, no meu jardim.
A primeira vez que li um poema,  fez-se primavera, no meu coração. Jamais, contudo, imaginei, um dia,  colhê-lo assim: pássaro azul de doces asas prateadas a, eternamente, voar, dentro de mim.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

No caminho


Em minha alma, existe um canto adormecido que o mundo insiste em não deixar cantar. Mas, uma ordem invisível, sempre, estabelece-se, sobre mim e impulsiona-me a sussurrar palavras, a inventar canção, a ordenar ideias sonoras que sonham voar.
O tempo frio e insensível não me deixa partir; não me deixa alçar o voo que, por minhas asas já tão cansadas, vive, em mim, a gritar. E os passos insistentes e lentos que dou em direção ao mar, deparam, sempre,  com perigos, dificuldades, obstáculos que me impedem de passar. Contudo, eu persisto e insisto. Choro, grito, recuo, tenho raiva até, mas logo recomponho-me e volto a lutar.
A minha alma nasceu para amar. Mas, posta ante a luta, compreende que a sua aprendizagem passa pelo enfrentamento, nas dificuldades, pela reflexão e vontade que a fazem crescer e enxergar. Sabe a minha alma que os caminhos do mundo devem ser percorridos com destreza e sabedoria, pois só assim será conduzida ao seu lugar.
Eis-me, pois, mais uma vez, no caminho, enfrentando a tempestade, lutando enquanto amo; amando enquanto luto, rumo ao destino que Deus me traçar.

sábado, 27 de agosto de 2011

Gente, tem cordel, lá na escola!

Lá na escola tem Gincana, na Gincana tem talentos que escoa, rola e voa
despertando-se, em cada evento.
Caaaannnnta Professor Evandro!

A GINCANA DA VIDA 
Professor  Evandro Souza
                                                                 


Sou caipira sertanejo
Um dia vou ser doutor
Trabalho feito formiga
pra comer meu mangalô

De sol a sol meu compadre
é minha labuta sem fim
ainda tem gente na cidade
que vem caçoar de mim.

Dizendo que não sou capaz
de fazer o que faço
pra aqueles que ainda duvidam
vou mostrar o meu compasso.

Doei sangue pela vitória
trouxe notas de montão
fiz de garrafas sofás
pra não me sentar no chão.

A torcida fez zoada
do início até o fim
cantando o grito de guerra
ascendeu o estopim

Conhecimentos gerais
ainda preciso ter
mas de tudo que me falta
ainda vou aprender.

Reciclei papel e lata
garrafas e papelão
fiz de lixo uma arte
que não teve explicação

Bullying, violência e droga
foi uma dramatização
pra quem tem um pé na cova
dei de vida uma lição

Soletrei muitas palavras
que Jorge Amado escreveu
no livro Capitães de Areia
mas teve gente que não leu

Você precisava ver
a nossa dança de rua
foi uma coisa tão linda
feito o sol e feito a lua.

Em três dimensões do mapa
é isso que é uma maquete
a gente fez as nossas casas
carro, rua e pedestre.

Talento musical
temos de montão
cantamos MPB
e foi grande a emoção.

Forró "tá" no nosso sangue
a gente fez numa boa
cantei, dancei e curti
feito sapo na logoa

Fiz muitas embaixadinhas,
quase nem deu pra contar
com uma bola que tava
mais pra lá do que pra cá

Com as letras de Pernambuco
tive que dar muita letrada
meu amigo fiz de tudo
mas não matei a charada

Força no pulmão
também tivemos que ter
e vestido de palhaço
um montão de bola encher.


Apresentação de cordel
a gente também manda ver
numa capa bem bonita
xilogravei o meu ser

Tarefa surpresa que tive
de comer muita banana
com exagero, com tudo
comi casca e achei bacana.

A gincana acabou
mas não vamos esquecer:
é na gincana da vida
que temos que comparecer.

O dia a dia da gente
é uma gincana sem fim
e esse espírito de luta
eu quero guardar  pra mim.

Gincana é todo dia
na luta que a gente trava
de construir com alegria
o caminho que a gente traça

Como eu sou estudante
não posso me esquecer
que aprender não é fácil
mas tem lá seu prazer

Guardo pra sempre esse espírito
de trabalhar e vencer
pra construir um futuro
que tem aqui seu nascer.

Há muitos caminhos na vida
que tem pra gente trilhar
mas o mais tranquilo e seguro
é a educação que vai me dar.

(Agora, professor, faz o seu desabafo!)

Estou cansado de ver
por trás de balcão meus alunos
quero é vê-los doutores
nos escritórios do mundo

Ganhando mais do que eu
trabalhando em hospitais
dentro das faculdades
querendo mais, muito mais...

(Professor Evandro Souza é professor de geografia no Colégio Estadual Prof. maria José de Lima Silveira - Distrito de Maria Quitéria - no município de Feira de Santana, Bahia. Escreveu este cordel que aqui está escrito obecendo a sua originalidade quanto à escrita e à forma, que foi apresentado no encerramento da Gincana promovida pelo  citado colégio, cujo tema foi direcionado à Zona Rural. Deixo, aqui, os meus parabéns ao professor Evandro e a todos aqueles que se empenharam antes e durante a realização da Gincana.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Raptada

A poesia veio me buscar
.Arrancou-me, doce e lenta,
do labirinto dos meus sonhos incompreendidos
e levou-me consigo,
sem dar-me chance alguma de retornar.

Antes, estava eu perdida.
Desconhecida de mim mesma
Não compreendia porque a dor canta,
o sorriso chora.
Não entendia o que, em mim,
se revolvia, a toda hora.

De repente,não sei como nem de onde,
A Poesia veio me raptar.
Surgiu como doce explosão, sem me avisar.
Encarou-me absoluta
Veio me raptar.

Desabrochou, então, em mim, o antes desconhecido
O sentido do sentir, o sentido do olhar.
Os impulsos, antes queridos, porém, não entendidos
E essa vontade de voar.

A poesia veio me buscar.
Ensinou-me a concretizar e aceitar o meu destino.
Seguir a minha sina de sorrir, falar, gritar, chorar lutar,
e, sempre, amar.

Apresentou-me, a mim, sorrindo
Ensinou-me que o Amor bonito, sempre, está a nos guiar.
E que essa onda que me invade, mistura de alegria e dor,
aceitação e indignação, sorrisos e lágrimas,
também se chama AMOR.

Desatei-me, pois, a correr, atrás desse mistério,
encontrando-me e me perdendo, para
voltar, depois,  a me encontrar.
Porque a Poesia veio a mim se apresentar,
Falndo-me do grito contido e da força incontida
que luta em espalhá-lo, pelo ar.

E desse  meu coração, em vontade de cantar.
E dessa onda gostosa, que me toma e me sufoca,
ao ouvir a sua música , no ar.
E a lágrima que rola, quando vejo ou escuto
o lamento solitário de colibris e sabiás.
E o voo medroso, ligeiro, dos bem te vis,
por mim a passar.

A Poesia veio me buscar.
Mostou-me que a ela pertenço
E que, neste mundo imenso, a ela devo escutar.
A poesia, pois, raptou-me.
De pronto, estendi-me indefesa, em seus braços,
como se estende o rio, em direção ao mar,
ciente do seu destino, de que não pode recuar.
Segue, assim, vagaroso e lento,
 conformado,
no banho do vento,
por vezes intranquilo jamais desatento,
Segue,  assim, como girassóis, 
em  atento e nítido olhar,
A eterna busca do chegar.