
Em cada passo que dou,
Em cada metro cumprido,
Um homem a penar,
Um animal sofrido.
.
Atravesso a minha rua,
percorro a avenida,
desolo-me
E choro.
.
Desencanto-me a contemplar
Um mundo que não é meu,
Perdida, busco a minha nave
Que há muito partiu,
deixando-me cá.
.
Choro, abandonada e só,
Entre gestos e linguagens estranhos
a me acenar.
Não os compreendo,
Não os sei decifrar.
.
Dói-me cada visão
desse tempo, nesse lugar.
Pacientemente, espero
O dia em que, retornando,
Venha a minha nave capturar-me.
.
Saberei reconhecer a sua luz,
os seus reflexos azuis
E o som mavioso
Como de trombetas a tocar.




